O Fim da MTV Brasil
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O Fim da MTV Brasil

Hello Overdrivers!

Ponho em questão neste post, o boato sobre o fim da “MTV Brasil”. Em algum momento na sua história, este canal, fez bem à música brasileira? Após nossa análise num bate papo descontraído, você decide, ok?

Primeiramente, queria dizer para os desavisados, que o significado de “MTV” é “Music Television”, e se você tem menos de 15 anos, provavelmente nas suas passagens entre um click e outro pelo canal, com certeza em apenas alguns mínimos momentos se deparou com MÚSICA, mas nem sempre foi assim.

Eu, humilde blogueiro, roqueiro, amante da música como um todo, divido a “MTV Brasil” em 5 fases. Com a passagem delas, o leitor notará que a Abril (dona do canal) foi guerreira. Segurou como pode. Mas, o dinheiro para cultura no Brasil sempre pega. E aos poucos este foi o paradoxo.

Fase 1 – O início de um sonho:
A “MTV Brasil”surgiu em 1990, no meio do que seria o início do movimento “grunge”. Nesta primeira fase, a gente tinha como VJs de destaque, Astrid Fontenelle, Gastão Moreira, Thunderbird, Cuca, Zeca Camargo, Fábio Massari e Sabrina Parlatore. Era mágico. Rock, Pop, Rap e Punk em vertentes nacionais e internacionais. Toda banda e músico brasileiro, sendo de gravadora ou não, sonhava em fazer seu clipe e aparecer em programas que traziam para o Brasil as últimas novidades em música. Era a vanguarda da TV brasileira, em programas como o “Fúria Metal”, “Disk MTV”, “Yo!”, “Gás Total” e “Lado B”. Foi a melhor fase da MTV. Os artistas e gravadoras viram um novo veículo para chegar até a cabeça dos jovens. Uma fase de música mesmo, que contribuiu bastante para a música brasileira. Música o dia inteiro na TV! Surge “Planet Hemp”, “Skank”, “Jota Quest”, “Pato Fu”, “Chico Science”, “Raimundos”, entre outros.

Fase 2 – O “Jabá”:
A falta de recursos financeiros para se sustentar, foi a porta para músicos e gravadoras iniciarem o processo já conhecido em rádios. Uma banda ou gravadora investe num horário ou promoção, e em troca, ganha mais espaço de mídia dentro de um ou outro programa. Ainda assim, a MTV Brasil passava música o dia inteiro, mas já sentia a falta de audiência ao concorrer com outros canais mais populares. Você, que sem perceber, assistiu a algumas premiações do canal, pode notar, que sempre ganhavam todos os prêmios, uma ou outra banda abençoada pelo processo do “Jabá”. Afinal, se você toca o dia inteiro uma ou outra banda, esta, entra por osmose na cabeça do ouvinte. Dentro deste processo, pode se notar que cada ano a banda de destaque coqueluche do canal era uma “X”. Tivemos “Marisa Monte”(que fez o primeiro clpe com super produção no Brasil), “Paralamas do Sucesso”, “Skank”“Raimundos”. Todos em gravadoras grandes. Ainda assim, por passar muitos programas de música, a MTV ainda fazia seu papel como televisão musical.

Fase 3 – O Jeito é Popularizar:
Com a queda de audiência do canal, e o crescimento “bizonho” de ritmos populares, alavancados pela “Rede Globo”, a “MTV Brasil” deixou de ser vanguarda, e numa tentativa bizarra de popularização, para gerar verba e audiência, começou a tocar Pagode, Sertanejo, Axé e afins no meio de outros programas de rock ou pop. Esta foi uma jogada estratégica que culminou com o início do fim. Toda juventude rocqueira começou a abandonar o canal. Não me esqueço um dia, quando pus na MTV, e vi que estava tocando “Grupo Molejo”. Os programas que traziam as novidades em música internacional, eram todos na grade da madrugada. Acho que pensavam que rocqueiro não dorme. As bandas novas de rock tinham pouquíssimo espaço. Até os roqueiros do “Titãs” fizeram um “Acústico MTV” “popularesco” que mudou a diretriz de sua carreira, mas também os afastou dos fãs verdadeiros. Não sei se as pessoas se lembram, mas os mesmos Titãs, colocaram num show de seu acústico uma banda qualquer de pagode, num show em Sampa. As poucas bandas, abençoadas pelas grandes gravadoras, ainda apareciam. No meio de tudo isto, aparecem para o grande público duas ótimas pérolas que estavam no underground: “Racionais Mc’s” e “Charlie Brown Jr”. Neste momento, para o telespectador era aceitar ou aceitar, ou quem sabe, ficar orfão de novidades de música na TV.

Fase 4 – Programas de Comportamento e o Retorno do “Jabá”:
Com a noção de que erraram de estratégia, e a pressão por audiência e investidores, a MTV passou a diminuir na sua grade a exposição de videoclipes e apostou em programas de comportamento. Estes, alavancaram apresentadores como Marcos Mion, João Gordo, Adriane Galisteu, Rafa e Daniela Cicarelli. A música estava em segundo plano. Os roqueiros já haviam abandonado o canal. Para se destacar como artista no Brasil, o negócio era ativar o “Jabá” na “MTV Brasil” e fazer o mesmo nas rádios. Com o surgimento do mp3 e o início da falência das gravadoras, as bandas passaram a ser propriedade de produtores e produtoras, e estas, alinhavavam novamente o “Jabá” por espaço na grade da MTV. Já não tinha porque se chamar “MTV Brasil”. O auge do canal, era a festa do VMB (Video Music Brasil), que premiava os “enjabazados” do momento, mas pelo menos, juntava a velha guarda e a nova guarda da música brasileira. Com isso, tivemos o “boom” de “Charlie Brown Jr” (que eu gosto muito), depois “NX Zero”, depois “Restart”, e o início do fim para a música brasileira. Fora um dia do ano, o dia do VMB, a “MTV Brasil” já era como canal de música vanguardista. Triste.

Fase 5 – TV de Comédia e a Volta da Vanguarda:
Esta última fase da “MTV Brasil”, depois que o barco já ruiu, divide-se em duas paradoxais marcas. Não há como negar que o talento de Marcelo Adnet e sua trupe, é uma das coisas mais engraçadas no quesito bom gosto em comédia no Brasil. Todos são muito bons. Mas vem cá, não era para ser um canal de música??? Não tem outra coisa para passar sem desgastar a imagem dos ótimos humoristas, 24 horas no ar?? Você, leitor, decida isto por mim.
O segundo paradoxo é um achado que deveria ser feito lá atrás na MTV, que é o espaço para novos artistas, novas manifestações, muita gente talentosa, mas que aconteceu tarde demais. Criolo, Emicida, Céu, BNegão, Tulipa Ruiz, Wado, Garotas Suecas, a Malluzinha, entre outros, são uma parcela da vanguarda do que se tem de melhor aqui. Este espaço independente, ainda que pequeno na TV para novos músicos, é uma grande contribuição de música para este momento. E é o que a “MTV Brasil” fez de melhor para a música brasleira nos últimos anos. Abriram espaço para o talento. De novo, tarde demais.

Claro, que em todas as fases, eu prefiro que tenha existido esta canal aqui no país. Tivemos momentos memoráveis. Com certeza, lá dentro, no meio de resultados, metas e politicagem, teve gente que brigou pela qualidade e programas de música que contrariassem o sistema. Não há como não citar a passagem assustadora do “Racionais Mcs” que meteram a boca no VMB. O quebra pau de João Gordo e Dado Dolabella. O excelentes acústicos da “Cássia Eller” e do “Capital Inicial”. A cobertura das mortes de “Renato Russo” e “Chico Science”. O “MTV ao Vvivo” do “Planet Hemp”, e a cobertura da sua prisão, entre outros.

Agora, hoje, se você quiser ver música na TV, independente deste fim ou não da “MTV Brasil”, ligue no “Multishow HD”, na “VH1 Mega Hits”, no “Concert Channel”, ou ainda na “Play TV”.  A música ainda está lá.

De saída, deixo um momento mágico de 1993, da MTV aqui no Brasil, com o último ídolo que mudou o rock,  e a questão para vocês se valeu a pena. Você, leitor, decide isto.

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About Rodrigo Pulga Joe

Cantor, compositor, entertainer e diretor de arte. Um devorador de filmes, séries, shows, músicas e baladas. Ah! Desce mais uma dose de cultura pop, please! Álbuns - Pulga Joe: www.youtube.com/pulgajoe View all posts by Rodrigo Pulga Joe
 

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