R.I.P. Chorão: Missão Cumprida
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R.I.P. Chorão: Missão Cumprida

Hello, Overdrivers!

Hoje, ao acordar, recebi a triste notícia do falecimento do líder da banda “Charlie Brown Jr.”, o Chorão.

Sempre quando morre algum artista, faz-se um balanço da sua história, do seu legado, da sua vida pessoal, e da sua vida artística.

Ouvi falar do Chorão, por volta dos anos 80, quando meu irmão andava de skate, na região da Invernada, no bairro do Campo Belo, em São Paulo. Todos os skatistas do local conheciam aquele moleque de Santos, que, como eles, em sua maioria, sempre viveram à beira da marginalidade. Garotos de classe média, de “rua” (quando ainda dava para brincar e conviver nas ruas de São Paulo), com suas turmas e “gangues”, representando e defendendo a sua própria tribo. Nesta época, em São Paulo, havia os “Punks”, que não gostavam dos “Headbangers”, que não gostavam dos “Rappers”, que não gostavam dos “Playboys”, que não gostavam dos “Góticos” e, assim por diante.

No começo dos anos 90, diz a lenda, que Chorão foi numa festa, na extinta casa “Aeroanta”, em Sampa. No meio do show, subiu no palco, sem mais nem porquê, e ao pegar o microfone do vocalista, mandou bem pacas, surpreendeu. A partir dali, aquela sensação boa, que só os artistas conhecem, o incendiou. Dali para frente, a música e o skate, viraram sua utopia. Um sonho, que ele, como poucos, conseguiu realizar.

Neste mundo da música e do “show business”, já ouvi falar do Chorão milhares de depoimentos diferentes. Que ele era um cara marrento, briguento, que era um cara coração pacas com os seus verdadeiros amigos, que usava e abusava sem limites de algumas drogas, que ele era contagiante e carinhoso, que era intempestivo e violento, e, que as coisas boas que aconteceram com o “Charlie Brown Jr.”, se devem, em sua maioria, a uma coisa que só quem obteve sucesso com garra sabe o que é: “correr atrás e nunca desistir”. Chorão fazia cada show seu, com uma energia impressionante, como se fosse o último.

Junto com seu escudeiro, Champignon (o ótimo baixista), o “Charlie Brown Jr.”, construiu sua história no rock nacional, fazendo um som que ninguém fazia. Foram os primeiros a utilizarem a cultura do “Skate Rock”, misturando influências de “Red Hot Chilli Peppers”, “Reggae”, “Pennywise”, “Bad Religion” e “Rap Nacional”. E isto, nos anos 90, os fez, juntamente com “Os Raimundos” e o “Planet Hemp”, as bandas de rock que mais tocavam no rádio no sudeste brasileiro. Na 89FM – “A Rádio Rock”(que está de volta), praticamente era a banda brasileira que mais tocava. Era o dia inteiro “Charlie Brown Jr.”

Como um gênio sempre carrega em sua bagagem, o “bem” e o “mal”, Chorão sempre foi polêmico nos bastidores. Fez muitos amigos e inimigos, mas, uma coisa que não podemos negar, é a facilidade e o jeito irreverente e inteligente de escrever suas músicas. Numa língua (portuguesa), que não favorece pela sua fonética, o estilo “rock”, Chorão, conseguiu escrever sua realidade e a de seus amigos, com frases célebres e que tocam o coração. Cantava suas verdades e a verdade das ruas, com suas divisões rítmicas e metáforas de poeta, que lhe deu um lugar único no rock nacional. Ninguém nunca conseguiu imitá-lo, ou até mesmo substituí-lo. Era o poeta da praia, da molecagem e do urbano. No palco, extremamente carismático. Fora dele, nem sempre. Mas alguns caras do rock são assim, não são?

Ao se fazer um balanço do legado que o Chorão nos deixou, é só prestar atenção nas suas letras, nos seus vários discos, e nas mensagens incutidas neles, como, por exemplo:
“Ouvi dizer que só era triste quem queria”
“ Só não podem me tirar as coisas boas que já fiz pra quem eu amo”
“Quem corre atrás, corre atrás, é o que faz acontecer”
“Essa eu fiz por todos nós”
“ A vida me ensinou a lutar pelo que é meu”
“Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério. O jovem no Brasil nunca é levado a sério”
E, assim por diante…

Sempre me identifiquei com suas letras, pois cresci, ali, nas ruas, jogando bola, andando de carrinho de rolemã, tentando agarrar as meninas, invadindo festas, brigando, e, principalmente, com a mesma utopia, de levar até o público final, minhas palavras e pensamentos incutidas em minhas letras. Como o Chorão, sou além de blogueiro, vocalista e artista, e, assim, me identifico muito com o lado bom da sua história: “A história de nunca desistir de seus sonhos”.

Por essas e por outras, véio: “Missão Cumprida” – Descanse em paz e fique com Deus.
Abaixo, para mim, sua melhor música. Uma das 10 que gosto mais na vida:

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About Rodrigo Pulga Joe

Cantor, compositor, entertainer e diretor de arte. Um devorador de filmes, séries, shows, músicas e baladas. Ah! Desce mais uma dose de cultura pop, please! Álbuns - Pulga Joe: www.youtube.com/pulgajoe View all posts by Rodrigo Pulga Joe
 

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