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Sobre os shows do Guns N’Roses em São Paulo e a definição de êxtase

A imagem do microfone voando da mão de Axl Rose em direção ao público paulista era a última memória de um show do Guns N’Roses que eu tinha guardada na minha mente. Cerca de 24 anos depois, o microfone voltou a voar da mão do vocalista em direção aos 45 mil paulistas que estavam no Allianz Parque, na última sexta-feira, 11 de novembro. Comparar os dois momentos foi inevitável. Em 1992, no estacionamento do Anhembi, Axl atirou o microfone em direção a audiência do show depois de se irritar ao ser acertado por algo jogado no palco por um fã. “Good night and fuck you”, disse ele interrompendo no meio a música “Sweet Child O’ Mine”, antes de abandonar o palco deixando os companheiros de banda com cara de tacho sem saber o que fazer. Na última sexta-feira, o microfone voou em direção ao público depois que Axl agradeceu a presença dos fãs sorrindo, sob uma bela chuva de papel picado e sendo ovacionado pelo público após um memorável show de duas horas e meia. E só essa diferença entre um momento e outro já diz muito sobre as apresentações paulistas da “Not In This Lifetime Tour”.

Em 1992, o Guns N’Roses deveria estar no auge e, com os principais singles dos álbuns “Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II” no topo das paradas do mundo todo e uma turnê milionária rodando por 32 países, mercadologicamente realmente estava. Mas o desgaste pessoal e de relacionamento entre os membros da banda já era visível e tornou a ruptura inevitável. Steven Adler e Izzy Stradlin já haviam deixado a banda antes mesmo da “Use Your Illusion Tour”. Duff McKagan e Slash fizeram o mesmo pouco depois do fim da excursão. Axl Rose seguiu em frente com o nome Guns N’Roses, continuou fazendo shows e gravou o literalmente tão aguardado “Chinese Democracy” (um bom disco que não soa como Guns N’Roses, mas não deixa de ser bom por isso). O baixista e o guitarrista também continuaram fazendo ótimos trabalhos solo e em conjunto (Slash e Duff tocaram juntos no Velvet Revolver), mas os fãs da banda nunca deixaram de sonhar com uma reunião. Se Axl Rose é a cara e o corpo do Guns N’Roses, Duff McKagan e Slash são a alma do grupo, e por isso ver os três reunidos, em sintonia, e se divertindo enquanto tocam juntos novamente é impagável.

Eu poderia fazer aqui uma resenha como as muitas outras que você leu por aí, contando que os shows, tanto o de sexta-feira (11), quanto de sábado (12), começaram com o som um pouco embolado, o que foi corrigido depois das primeiras músicas. Poderia dizer que é sensacional ver o verdadeiro Axl Rose, que andava decadente nos últimos anos, de volta. O vocalista cantou e muito nos dois dias! O carisma, a atitude e a voz rasgada e inconfundível pareceram nunca terem sido abalados. Eu poderia escrever sobre como o Slash mostrou mais uma vez, no palco do Allianz Parque, porque é um dos maiores guitarristas da história do rock mundial. Eu poderia discorrer sobre a aura punk do Duff, que fez com o o Guns N’Roses recuperasse a maravilhosa energia de banda de garagem, mesmo em uma arena lotada. Eu poderia comentar as escolhas do setlist, recheado de clássicos do “Appetite For Destruction” e outros hits, e até reclamar da falta de algumas músicas que eu gostaria de ter ouvido. Eu poderia também causar polêmica entre os fãs puristas e dizer que o Frank Ferrer é o melhor baterista (tecnicamente falando) que já passou pela banda. Mas eu imagino você já deve ter lido sobre tudo isso, e outras coisas mais, em outros veículos, então eu prefiro falar sobre a energia de resgate do verdadeiro espírito rock n’roll que contagiou o público e a banda, e fez até a chuva parecer bacana, em duas noites mágicas de shows do Guns N’Roses em São Paulo. Clichê? Com certeza. Mas como eu sempre digo, os clichês não se tornam clichês à toa, não é mesmo?

Foto: Divulgação/Guns N'Roses

Foto: Divulgação/Guns N’Roses

É possível que pelo menos metade do público que esteve presente nos dois dias de shows do Guns N’Roses em São Paulo não tenha idade suficiente para ter visto Duff, Slash e Axl tocarem juntos antes como eu vi, mas isso não faz diferença. Acredito até que a expectativa destas pessoas, que cresceram ouvindo uma banda que acreditavam que nunca poderiam ver reunida em sua formação semi-original (não dá pra ignorar que faltaram Izzy e Adler), fosse tão grande quanto a minha, que fui adolescente nos anos 80/90 e tão fã da banda que assinava ‘Mari Bailey Rose’ nas cartinhas para as amigas da escola. Por isso digo, sem titubear, que tais expectativas foram superadas com louvor. Ver o Guns N’Roses no palco com tamanha energia fez com que eu me sentisse com 15 anos novamente. A palavra êxtase (estado de quem se encontra como que transportado para fora de si e do mundo sensível, por efeito de exaltação mística ou de sentimentos muito intensos de alegria, prazer, admiração – como descrita no dicionário) é a que melhor define a sensação que as duas apresentações do grupo me causaram. Os dois shows paulistas da ironicamente intitulada “Not In This Lifetime Tour” – “Not in this lifetime” foi a resposta que Axl Rose deu ao ser questionado sobre as chances de reunião da formação original da banda, em 2012 – foram memoráveis: daqueles que os que foram ao Allianz Parque no último final de semana guardarão para sempre na memória como um dos melhores da vida!

Quer ter uma ideia do clima no Allianz Parque? Clique nas fotos da Priscila Tessarini na galeria abaixo e veja você mesmo!

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About Mariana Schittini

Radialista por formação, jornalista por profissão, Mariana Schittini obviamente gosta de dar opiniões. Quando o assunto é cultura pop, então, o desejo de buscar informações e de compartilhar pontos de vista se torna ainda maior. E as opiniões dessa (por enquanto) ruiva, não te deixarão entrar em roubada. View all posts by Mariana Schittini
 

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