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#OpiniãoOver: Porque o Placebo resolveu lançar o último MTV Unplugged de todos

Para que uma banda se prestaria, nos dias de hoje, a lançar um álbum com o título de “MTV Unplugged”, sendo que o formato está preso à velha linguagem da TV de tubo? Talvez, o que soe moderno seja andar na contramão de tudo isto, e o Placebo sempre se preocupou em fazer o que estava com vontade. Por ter esta liberdade é que a banda está aí, há muitos anos, e ainda vendendo novos discos. Nos seus 20 anos de carreira, o Placebo lançou álbuns memoráveis, por vezes mais rock, por vezes mais depressivo, outras vezes mais eletrônico, flertando sempre entre músicas que seriam “hits”, outras que correspondem a “lados Bs”, remixes e covers. Tudo isto sem perder a sua alma e identidade. O Placebo comemora estes 20 anos de carreira realizando o que para eles seria algo que faltou no caminho. Gravar um acústico da MTV, com seus maiores sucessos (ou não), numa roupagem extremamente trabalhada, nova e caprichada. O álbum não foi gravado apenas com músicos e violões. Em cada música se ouve um trabalho minucioso de cordas, piano, instrumentos de sopro, entre outros.

Por que o Placebo não gravou este acústico antes? Primeiramente porque este formato de programa na MTV foi febre entre o início da década de 90 e metade dos anos 2000, e a banda se formou apenas em 1994, lançando seu primeiro álbum em 1996. Ou seja, eles eram muito mais espectadores (como nós) do programa, do que uma banda pronta para um trabalho deste gabarito. E convenhamos que o Placebo, europeu, só teve espaço e o seu “boom” anos mais tarde. Apesar de todos os álbuns deles soarem como se tivessem sido gravados hoje em dia, no meio dos 90, com o movimento “grunge” em alta, um acústico para uma banda considerada alternativa ao extremo para aquela época, não teria o devido espaço reservado.

Para os mais novos, daremos um pequeno panorama do que foi o MTV Unplugged. Estamos em 2016, e no início dos anos 90, mais precisamente em 1989, no VMA (Vídeo Music Awards), Bon Jovi inovou ao executar clássicos eternos da banda, “Livin on a Prayer” e “Wanted or Alive”, em versões acústicas. O formato chamou atenção e a MTV decidiu criar o programa, que virou febre até a metade dos anos 2000, porém, há uma outra versão de fatos que diz que o programa foi inspirado em uma  apresentação acústica de Elvis Presley, em 1968 (aquele show do “Rei”, com um violão, num palquinho quadrado), isso se só falarmos na América, pois em território europeu, entre os anos 60 e 70, a BBC de Londres já fazia programas com este formato para a televisão. Mas o que verdadeiramente importa é que este formato diferente para músicas e artistas conhecidos fez do programa um sucesso.

Acústicos inesquecíveis, como os do Pearl Jam, Nirvana, Alice In Chains, Bruce Springsteen, Rod Stewart, entre outros, marcaram época, e eram uma forma de nos sentirmos mais próximos, num contato intimista com nossos astros (este é um assunto para uma outra postagem, um pouco mais completa sobre estes acústicos).

Como forma de comemoração a estes 20 anos de carreira, o Placebo pegou toda a sua heterogênea discografia e separou 17 faixas para homenagear o formato e sua própria carreira. Abrindo o álbum com a canção de Sinead O’Connor, “Jackie”, o cada vez mais anasalado e andrógino Brian Molko traz o ouvinte para dentro de sua alma. O disco traz releituras felizes e outras nem tanto. A canção “Every You Every Me”, uma de minhas preferidas, perdeu-se num mundo totalmente introspectivo e lento. Mas afinal, se o trabalho do artista e de sua obra é causar inquietação, o Placebo conseguiu com esta releitura. Há outros momentos no álbum em que canções nem tanto trabalhadas em sua versão original crescem de maneira absurda. O disco é bastante bonito, porém achei a masterização final muito puxada para os agudos, fazendo com que esta característica da voz de Brian, e os violões, não tragam aquele “gordinho” de médios e graves, que colocam uma gravação deste tipo como se a música estivesse deitada em uma cama estável. Os instrumentos acabam por ficar escondidos em algumas músicas, não valorizando os arranjos tão bem trabalhados. Mal dá para se ouvir os graves dos violões, e a voz de Brian ficou muito alta na mixagem, porém, se você é fã, como este Overdriver que lhes escreve, vai gostar de ouvir.

Outra lebre interessante de se levantar é que politicamente, nos anos 90, não tínhamos uma receptividade tão grande, quando se fala em “mainstream” para bandas e conjuntos que levantavam a bandeira LGBTTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) como temos hoje. Os anos 90, com o “grunge”, trouxe a sujeira e o pesado, tirando espaço do outrora idolatrado “hair metal americano” que flertava com a androginia (mistura de características femininas e masculinas em um único ser). E em se tratando desta androginia e “levantada de bandeira”, o Placebo é campeão. Para o mundo de hoje, moderníssimo! Durante estes 20 anos, a banda sempre foi vanguardista e alternativa e não poupou em algumas de suas letras a sua posição quanto a este assunto.

Por todas estas coisas é que é difícil imaginar um acústico do… Placebo?!?! Foi o que pensei quando vi a capa do disco. No fim, ouvi algumas vezes e curti. Não é um álbum para todo mundo. É um álbum para os fãs, para Brian Molko, e toda a sua turma. O sempre e atual, Placebo.

Se você vai gostar? Não sei. Eu tive minhas ressalvas da “mix” e de releituras que me incomodaran, mas gostei.
Está aí um aperitivo com “The Bitter End”, pra você teclar sua opinião conosco.

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About Rodrigo Pulga Joe

Cantor, compositor, entertainer e diretor de arte. Um devorador de filmes, séries, shows, músicas e baladas. Ah! Desce mais uma dose de cultura pop, please! Álbuns - Pulga Joe: www.youtube.com/pulgajoe View all posts by Rodrigo Pulga Joe
 

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