"Can't Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police" revela fogueira das vaidades
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“Can’t Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police” revela fogueira das vaidades

A banda The Police nasceu no mesmo ano que eu: 1977. Cerca de 9 anos depois, quando minha irmã mais velha se apaixonou pela banda ao comprar, em vinil, a coletânea “Every Breath You Take: The Singles”, eu fui oficialmente apresentada a eles. Naquela época, gostar das mesmas bandas que a irmã 5 anos mais velha significava que eu estava virando adulta, mesmo sendo ela apenas uma adolescente. E no caso da banda de Sting, Andy Summers e Stewart Copeland eu não precisei me esforçar para me sentir adulta. Canções como “Roxanne”, “Every Little Thing She Does Is Magic”, “Message in a Bottle”, “So Lonely” e, é óbvio, “Every Breath You Take”, conquistaram meu coração infantil sem encontrarem nenhum obstáculo, e então eu passei a pegar, escondida, o álbum do quarto da Dani, sempre que ela não estava em casa, para escutá-lo na minha vitrolinha azul do Mickey (rezem para que ela não leia esse texto porque, se isso acontecer, levarei bronca atrasada por conta da revelação).

Passados mais 30 anos, resolvi assistir no Netflix, no último final de semana, o documentário “Can’t Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police” e fui tomada por um melancólico sentimento de nostalgia e amor assistindo ao filme baseado no livro de memórias do guitarrista Andy Summers, “One Train Later: A Memoir”. Afinal, como já dizia o sábio Tim Maia, “paixão antiga sempre mexe com a gente”. Os títulos, tanto do documentário, quanto do livro, já nos dão uma pista do que devemos esperar. O tempero melancólico do sentimento de nostalgia que permeia o filme vem exatamente da narração do guitarrista, que soa conformado, mas infeliz com o fim da banda.

Dirigido por Lauren Lazin e Andy Grieve, “Can’t Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police” alterna imagens do início de carreira do The Police, com cenas dos bastidores da turnê de reunião do grupo, em 2007; enquanto Summers lê, em off, trechos do livro de memórias lançado no mesmo ano da reunião, em que conta sua trajetória desde o nascimento em uma espécie de “caravana cigana” durante a Segunda Guerra Mundial, passando por seus fracassos no início da carreira de músico e pela formação da banda que conquistou o mundo, até o fim do The Police, causado pelas turbulências geradas por questões de ego que surgiram enquanto o grupo caminhava para o sucesso.

Revelador e um tanto quanto dramático, o documentário escancara as cortinas que encobriam os problemas nos bastidores do The Police e mostra ao público de forma sútil, mas bastante clara, as dificuldades de relacionamento entre Sting, Andy Summers e Stewart Copeland. Ao contrário da maioria dos filmes que contam histórias de bandas de sucesso mostrando sua grandiosidade e sua escalada ao topo, “Can’t Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police” promove uma sensível autocrítica na avaliação do fatos e atitudes que fizeram com que a integração de seus integrantes desmoronasse. E o melhor de tudo é que ao invés de fazer com que nos decepcionemos com o trio ao vê-los de forma nua e crua, o documentário nos faz admirá-los ainda mais pela honestidade, ao expor suas falhas e humanidade de forma tocante. Se você pensa que Andy Summers usou seu livro (e o filme) apenas para ‘bater’ em Sting e Stewart Copeland, está muito enganado. O guitarrista não alivia nem pro seu próprio lado, e mostra claramente que teve sua (boa) parcela de culpa em tudo o que deu errado e levou ao desgaste da banda.

Se você é, ou não, fã de The Police, “Can’t Stand Losing You: Sobrevivendo ao The Police” vale muito a pena por se tratar de uma verdadeira raridade dentro da interminável variedade de autobiografias feitas apenas para exaltar as qualidades dos artistas e inflar mais ainda seus próprios egos.

Enquanto você assiste ao filme, eu fico aqui torcendo para que, apesar dos muitos problemas, e ‘nãos’ à possibilidade de mais uma reunião, Sting, Andy Summers e Stewart Copeland resolvam comemorar os 40 anos de carreira da banda em 2017 com mais uma turnê, para que eu ganhe de presente de aniversário de 40 anos, a chance de poder vê-los em ação.

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About Mariana Schittini

Radialista por formação, jornalista por profissão, Mariana Schittini obviamente gosta de dar opiniões. Quando o assunto é cultura pop, então, o desejo de buscar informações e de compartilhar pontos de vista se torna ainda maior. E as opiniões dessa (por enquanto) ruiva, não te deixarão entrar em roubada. View all posts by Mariana Schittini
 

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